De volta à casa de partida

Desde muito novo que tenho interesse em ler. Os livros sempre me fascinaram, permitiam-me viajar para sítios que nunca imaginei chegar. Numa época sem Internet e com uma televisão só com dois canais, era dos melhores entretenimentos disponíveis.

Lia tudo e sobre tudo, até enciclopédias e atlas; tudo era interessante. E ainda mais interessante se tornou quando comecei a ver o Cosmos, a mítica série de Carl Sagan (título original: Cosmos – A Personal Voyage).

Despertou-me o interesse pela ciência e foi muito responsável por ter terminado o doutoramento e ter uma carreira ligada à ciência e investigação. Sagan tornou-se uma referência, e deixei-me fascinar pela astronomia e pela exploração espacial. Ora, como nunca iria conseguir ser um astronauta (embora sempre quisesse…) e as perspectivas eram limitadas na altura, fui pelo caminho que já conhecia: devorar tudo sobre o espaço e sobre o universo em que conseguia meter os meus míopes olhos.

Inevitavelmente, cheguei à ficção científica. Pelos filmes, certamente, alguns dos quais foram responsáveis por noites muito mal dormidas (estou a olhar para ti, Alien), mas principalmente pelos livros. Guardo ainda hoje com muito carinho aquele que terá sido o primeiro livro de ficção científica que li, O Décimo Planeta de Edmund Cooper, publicado em 1973, uma história distópica sobre o fim do tempo da humanidade na Terra e sobre a criação de uma nova sociedade em Minerva, um planeta para lá de Plutão.

Seguiram-se muitos mais. Muitos, muitos mais. Até que cheguei ao ponto em quis ser eu a escrever. Nunca tive muita dificuldade com o Português, e na realidade nunca me esforcei muito nas aulas. Percebia figuras de estilo e não dava erros ortográficos (eternamente grato à minha professora da primária, que sempre exigiu o máximo dos seus alunos). Mas na verdade, nunca saiu grande coisa.

Mais tarde, com o advento da Internet (ainda passei pelos modems e pela sua característica banda sonora) começaram a surgir os “sites pessoais”, e eventualmente os “weblogs“, agora abreviados para “blogs”. Registos cronográficos de tudo e mais alguma coisa, livres e abertos a todos. Claro que experimentei, e ainda mantive alguns durante algum tempo. Nunca duraram muito tempo, por este ou por aquele motivo.

Em 2018, já na quarta década de existência, apeteceu-me tentar outra vez. Vi o aniversário dos 20 anos do Kottke, um dos blogs mais antigos da Internet, e que sigo desde a sua concepção, e pensei, porque não eu ter uma coisa destas? (imensos motivos para não ter, mas não vamos por aí…)

Posso sempre dizer que tentei quando isto inevitavelmente falhar. Mas aqui vai, de volta à casa de partida, com mais 2000 escudos.